Será que meu filho está tomando drogas?!
Para evitar que aconteça, ou para lidar com o que já aconteceu, os pais precisam
de toda e qualquer informação sobre o assunto
Pérsio Ribeiro Gomes de Deus
Um dos problemas mais
sérios nos dias de hoje é a enorme quantidade de adolescentes que tem contato
com drogas. Segundo pesquisas de órgãos oficiais, como o CEBRID, aproximadamente
80% dos adolescentes até a idade de 16 anos já tiveram experiências com
drogas.
Isto parece distante de nós, até que uma situação, geralmente
dramática, denuncia que nosso filho está usando droga. O que fazer? E mais, o
que fazer para que isto nunca aconteça?
Geralmente, o que percebemos em nosso
consultório é um despreparo muito grande por parte dos pais em relação a este
assunto. Sentindo-se agredidos e desrespeitados, procuram em desespero tirar
imediatamente o filho do contato com as drogas. Tomam, nesse percurso, atitudes
agressivas que, geralmente, pioraram a situação. Muitos adotam posturas
punitivas proibindo o filho, a partir daquele momento, de fazer qualquer coisa.
E o que ganham com isso? Uma animosidade e um distanciamento ainda maior e quase
sempre acabam perdendo a chance de ajudá-lo. Esta atitude, ao contrário do que
pensam, podem levar o filho – que talvez esteja em sua primeira experiência com
a droga, a qual poderia ser logo descartada – a uma atitude de reforço negativo,
do tipo: “já que vocês acham que sou um drogado, agora vão ver só.”
Mas,
então, o que devemos fazer? Ser coniventes e simplesmente fingir que nada está
acontecendo? Não, mesmo! É exatamente neste momento que nossos filhos mais
precisam de nós!
A primeira
atitude, antes de qualquer movimento, é tentar perceber o que está
por trás do uso da droga. O que seria...
- mera curiosidade?
- necessidade
de fazer o que os outros jovens estão fazendo?
- pressão do “grupo”?
- uma
crise depressiva da adolescência? (depois da curiosidade, é a principal causa de
se buscar drogas). Essa depressão pode se manifestar através de sinais como
indolência, preguiça, sonolência, irritabilidade etc.
- fuga do ambiente
familiar?
Não podemos esquecer que as drogas são muito poderosas e seus
efeitos sensoriais inimagináveis. Os jovens, principalmente, acabam se deixando
levar, fisgados pela atração fatal de seus efeitos!
Em
seguida devemos tomar conhecimento do que, ou quem, está
“patrocinando” (financeiramente) as drogas (há consumidores que chegam ao roubo
para manter o vício). Além disso, precisamos saber em que “degrau” da relação
com a droga, nosso filho se encontra. Há vários níveis: primeiro ou segundo
degraus de uso esporádico; terceiro do habitual, ou será que já chegou ao último
degrau da “dependência química”?
Em cada etapa, determinadas condutas devem
ser tomadas. Para esclarecer mais a situação, deixe-me fazer uma comparação: não
haveria lógica em chamar de alcoólatra uma pessoa que toma uma cervejinha
esporádica com amigos, não é? Essa pessoa ficaria, com toda razão, tremendamente
revoltada se quisessem interná-la! O mesmo ocorre com as drogas. Há vários
níveis de envolvimento.
Nós, pais, devemos nos manter calmos. Não erraremos
se mantivermos uma atitude compreensiva, tirando da intimidade soluções que
abram portas de diálogo e janelas afetivas que estavam fechadas, criando uma
nova ordem no relacionamento familiar. Isto só será possível se nos dispusermos
a conhecer mais o assunto “Drogas”. Desta forma, nosso diálogo poderá ser
fortalecido, uma vez que evitaremos posições preconceituosas ou ignorantes e
nossos apartes serão corretos, esclarecidos e fundamentados.
Dicas para
os pais. Pais, é importante frisar que a
maioria dos jovens é fisgada pelos efeitos que a droga produz e não pelo uso da
droga em si. Existe um grito surdo de socorro e um pedido de ajuda por trás de
cada usuário de droga. Vamos ver algumas dicas que podem ser preciosas:
- A
maioria das experiências com drogas ocorre quando o filho está com os
amigos.
- Quem oferece droga é, geralmente, um amigo, um colega do filho.
Faça, portanto, questão de conhecer os amigos de seus filhos, bem como suas
famílias.
- Esteja atento a alterações súbitas de comportamento e humor.
-
Não tome atitudes drásticas.
Além destes passos práticos e lúcidos por parte
dos pais podemos dizer que o mais importante é o amor que devemos derramar sobre
nosso filho. Este amor precisa ser verbalizado, mas principalmente vivido.
Devido ao fator emocional da situação, nem sempre é fácil para os pais
demonstrá-lo. Nestes momentos precisamos correr à fonte do verdadeiro amor,
Jesus Cristo, que nos amou de forma incondicional, tendo sempre uma palavra de
consolo e conforto. Muitos de meus pacientes só conseguiram se libertar
definitivamente das drogas quando experimentaram o amor de Jesus
Cristo.
Poucas coisas são mais fortes que as experiências com as drogas, e só
algo mais poderoso pode vencê-la e libertar quem dela já é escravo. E, mais
poderoso que a droga, é o amor – o amor do pai, da mãe, da família e o amor de
Deus através de seu filho Jesus Cristo.