Cúmplice na batalha

 As exigências da sociedade levam o homem a um super desgaste. Há que se cuidar!

 

 Iara Vasconcellos  

 Até os quinze anos de idade eu assistia à televisão no colo do meu pai. Filmes de aventura, de ação, documentários faziam parte da nossa programação. Vibrávamos com “Rin-Tim-Tim”, “Lassie”, “Homem e mulher biônicos”, “O fugitivo”, “Nós e o fantasma”, “A família do ré mi” “Os Watsons”, “Memórias de Sir Winston Churchill”, “Combate” e muitos outros. Aprendia com seus comentários e era consolada quando o filme era triste.

Cada dia, ao ouvir o carro entrar na garagem, à noite, eu me escondia atrás da porta e assim que papai a abria, eu fazia “Buuuhhh!”. E ele representava sua parte tão bem que eu sempre achava que ele “quase morria de susto”.

Lembranças como estas trazem saudades e me fazem agradecer a Deus o privilégio de ter tido um pai presente em minha vida. Pai humano, com falhas, mas que conhecia o Senhor e queria acertar.

Não é segredo algum que as mulheres sempre foram mais abertas que os homens. Em caso de problemas no casamento, por exemplo, elas saem na frente em busca de ajuda. São as primeiras a buscar livros de orientação e vão atrás de conselhos tendo em vista aprimorar seus lares.

Recentemente, porém, tem havido um “boom” de livros dirigidos ao público masculino. Há livros que falam sobre o papel do homem como pai, como profissional, como marido. Há dicas de mulheres, falando o que elas gostariam de ver em um homem. Há normas de cultura, há padrões, há sugestões. E, acima de tudo, há o ponto de vista de Deus, exposto na Bíblia, que também aborda em relação ao homem que foi criado para caminhar com o Criador. Desde o Éden Deus queria a companhia de Adão e providenciou ali tudo o que ele precisava.

Porém, na insanidade da nossa sociedade consumista, o homem tem sido um dos mais prejudicados. A luta pela empregabilidade e pela sobrevivência, a competição, a deslealdade, predispõe até o mais sincero dos homens a buscar variedades de “armas” para a batalha.

E nisso costuma ser consumida a energia e os melhores anos dos representantes do sexo masculino.

Creio, também, que as mães de homens têm um papel vital em como os representantes do sexo masculino enfrentarão a vida, quando saírem de casa. Há mães que, simplesmente, servem seus filhos como se fossem escravas. Recolhem suas roupas, anteriormente arremessadas ao chão, aceitam grosserias e se colocam em situação de subserviência, suscitando desrespeito e a ilusão de que eles são os “donos do mundo”. Essa situação muda ao enfrentarem a vida com seus outros relacionamentos. Aqueles que não aprendem, acabam não se adaptando a empregos, não aceitando autoridades e nem responsabilidades. Além disso, esses filhos passam a buscar esposas que os tratem da mesma forma que suas mães os tratavam. E assim, essa situação vai se perpetuando, tornando mais complicado o relacionamento e a imagem dos homens em uma sociedade machista.

Então, mães, preparem seus filhos para a vida, ensinando-os a arrumarem suas próprias camas, a ajudarem na casa e, principalmente, a respeitarem os mais velhos e a tratarem mulheres e crianças com gentileza.

Creio que, agindo assim, estaremos colocando em prática vários ensinamentos bíblicos e, de forma resumida, ensinando os filhos a viver.

Podemos dizer que esta é uma maneira preventiva de tratamento, mas, o que dizer hoje, em poucas palavras, a quem tem enfrentado a linha de frente e, por isso, muitas vezes se ferido no “front”?

Como auxiliadoras e, muitas vezes companheiras no campo de batalha, podemos oferecer além de um olhar misericordioso, ajuda prática, compreensão e cumplicidade. Além dos braços, cabeça e coração. Além de palavras, oração.

Iara Vasconcellos é editora da Revista Lar Cristão, e tradutora. Casada com João Marcos Vasconcellos ambos atuam na área de ensino da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo